segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Doce e tristonho



Você me deu razão para ouvir a bossa
Fez em minha alma ferida pequena e bonita
Aquela que só os amantes tem
E só os amantes compreendem
Você causa aquele sofrimento calmo
Que foi feito para casar com Jobim e Elis
Isso se aproxima do contentamento
Um prazer inexplicável de uma paixão cruel
De uma delisusão de poeta
De uma saudade secreta, bucólica e romântica
Não, eu não reclamo meu bem
Até o sofrer, se vem de você, me faz melhor
Até o penar, se é você quem inflinge, se torna um leve despertar
Esse amor de solidão e paixão
me vem como um amanhecer ensolarado
em que todos compartilham a alegria do calor
E eu tenho como companhia apenas o som
Apenas a bossa nova me acompanha
Ela me entende
Eu e ela sorrimos e cantamos
Num cantinho, quietinho, sozinho
Lembrando você

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A fé de uns e outros - Por Martha Medeiros

A fé de uns e de Outros

Apoio que as pessoas se manifestem publicamente contra a violência urbana,
contra os altos impostos que não são revertidos em benefícios sociais,
contra a corrupção, contra a injustiça, contra o descaso com o meio
ambiente, enfim, contra tudo o que prejudica o desenvolvimento da sociedade
e o bem-estar pessoal de cada um. No entanto, tenho dificuldade de entender
a mobilização, geralmente furiosa, contra escolhas particulares que não
afetam em nada a vida de ninguém, a não ser aos diretamente envolvidos, caso
da legalização do casamento gay, que acaba de ser aprovado na Argentina.

Se dois homens ou duas mulheres desejam viver amparados por todos os
direitos civis que um casal hétero dispõe, em que isso atrapalha a minha
vida ou a sua? Estarão eles matando, roubando, praticando algum crime? No
caso de poderem adotar crianças, seria mais saudável elas serem criadas em
orfanatos do que num lar afetivo? Ou será que se está temendo que a
legalização seja um estímulo para os indecisos? Ora, a homossexualidade faz
parte da natureza humana, não é um passatempo, um modismo. É um fato:
algumas pessoas se sentem atraídas – e se apaixonam – por parceiros do mesmo
sexo. Acontece desde que o mundo é mundo. E se por acaso um filho ou neto
nosso tiver essa mesma inclinação, é preferível que ele cresça numa
sociedade que não o estigmatize. Ou é lenda que queremos o melhor para
nossos filhos?

No entanto, o que a mim parece lógico, não passa de um pântano para grande
parcela da sociedade, principalmente para os católicos praticantes. Entendo
e respeito o incômodo que sentem com a situação, que é contrária às
diretrizes do Senhor, mas na minha santa inocência, ainda acredito que
religião deveria servir apenas para promover o amor e a paz de espírito. Se
for para promover a culpa e decretar que quem é diferente deve arder no fogo
do inferno, então que conforto é esse que a religião promete? Não quero a
vida eterna ao custo de subjugar quem nunca me fez mal. Prefiro vida com
prazo delimitado, porém vivida em harmonia.

Sei que sou uma desastrada em tocar num assunto que deixa meio mundo
alterado. Daqui a cinco minutos minha caixa de e-mails estará lotada de
agressões, mas me concedam o direito ao idealismo, que estou tentando
transmitir com a maior doçura possível: não há nada que faça com que a
homossexualidade desapareça como um passe de mágica, ela é inerente a
diversos seres humanos e um dia será aceita sem tanto conflito. Só por cima
do seu cadáver? Será por cima do cadáver de todos nós, tenha certeza. Claro
que ninguém precisa ser conivente com o que lhe choca, mas é mais produtivo
batalhar pela erradicação do que torna nossa vida ruim, do que se sentir
ameaçado por um preconceito, que é algo tão abstrato.

Pode rir, mas às vezes acho que acredito mais em Deus do que muito cristão.

*Texto de MARTHA MEDEIROS*

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Espera

As vezes penso que teria sido melhor ficar
Apenas não sentir e não procurar saber
Nem ao menos me deixar ouvir
Nem ao menos me contar

As vezes penso que não deveria pensar
Talvez assim nada esperar
Porque quando se sabe viver
Se aprende que não basta amar

Não espero entender
O porque mesmo sabendo
Que nada se deve esperar
Meu coração desacelera quando vê a verdade chegar

Mesmo sabendo que nada sabia
Mesmo sabendo que nada queria
Mesmo sabendo que nada se pretendia
Eu tentei e me deixei levar

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um primeiro beijo é sempre um primeiro beijo

Dentro de nós

Nada de pensamentos
Boca cerrada
Olhos bem abertos
Mãos frias

Batimento forte
Ausência de pensamento
Descarga de energia
Em todo o corpo

Se tocam
Finalmente os lábios se tocam
Se sentem, queimam
Sinto o calor da sua respiração

Você também sente a minha
A escolade samaba no meu peito
Tentam reanimar seus sentidos
E você treme

Fios de cabelo nos rostos
Os meus e os seus, um nó
Nossos lábios
Outro nó

Um minuto fora
Fora do mundo
Do corpo
Dentro de nós

Você não está

Depois de muito tempo, agora tenho coragem de expor isso:

Tento disfarçar sua falta
Com sorrisos e compromissos
Nem um segundo do dia
Fica vaga e a saudade omito

Falar com você dói
Ouvir sua voz dói
Te ouvir sorrir dói
Não poder estar com você mata

Me engano e o faço be
Chego até a acreditar
Nas mentiras que conto tçao bem
E meu coração dorme pra não chorar

Esse quarto vazio
E o silêncio do telefone
Junto com a ausência do "boa noite"
Vão co o vento voar

A ligação entre nós
Hoje ainda nítida e rochosa
Com o vento e a chuva
Na miragem do deserto ficará

18/11/2009

Querer você

A sua música num cd riscado
Um consgestionamento quando se está atrasada
Seu salto que quebrou na segunda-feira
Nada é tão incoveniente qnto querer você

Como o farol q se abre quando chegamos perto
Uma chuva no meio do domingo
Ou meu cachorro amando a tartaruga de pelúcia
Nada tão inesperado qnto vc

Dinehiro esquecido e agora achado
Pôr-do-sol na praia
E uma boa música sexta a noite
Tudo tão bom qnto ver vc

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Casa

Livrei-me , de uma maneira ou outra, de tudo que estava me perturbando. Se não tudo, a parte que era possível no momento.

Agora, tento identificar o que sobrou de puro em mim e o que as externalidades modificaram.

Felizmente reencontrei minha paixão pela música, pela fotografia, arte como sentido da vida e, principalmente, encontrei minha curiosidade. Tive medo de olhar-me no espelho e ver algo velho e ranzinza, sem gosto pelo novo, pela descoberta. Mas ainda estava lá, sorrindo para mim, a minha curiosidade ao lado do meu encanto pelo novo e belo, esperando serem chamadas para fora do guarda-roupa.

Nessa nova fase, me bateu à porta uma velha amiga, que há tempos não me visitava, a Paixão. EU a havia mandado embora da última vez, já que ela insistia em me lembrar quem eu devia esquecer. Mas agora lá vem ela de novo, com o sorriso aberto e me mostrando diversas novidades e variadas formas de sorrir.

Me dei conta, ao encontrar esses velhos amigos, que não andara usando um par de brincos que nunca deveria ter tirado das orelhas. Os apelidei carinhosamente: individualidade e amor próprio. Apesar de serem amados e estarem sempre a vista, não estavam me vestindo tão freqüentemente. Que alegria! Agora com eles novamente rente a minha cabeça, fui sentar-me embaixo da árvore com quem tenho longas e prazerosas conversas. Como tudo, ela também tem um nome: Conhecimento. Estranho reparar que sempre quando me aproximo dela é justamente quando tomo um copo de uma bebida amarga, porém muito útil, a dor. Nos últimos tempos tinha evitado sentar-me perto da árvore, sentindo-me meio indisposta após alguns copos, sentava-me na poltrona da solidão e lá permanecia. Porém hoje, depois de tantas lembranças e móveis tirados do lugar, tomei coragem para sair novamente. Estou voltando a descobrir os cômodos da minha casa.